Cinema : Abraços Partidos - Pedro Almodóvar

Texto do crítico de cinema Rubens Ewald Filho em seu blog(clique aqui para acessar), sobre o novo filme de Pedro Almodóvar, Abraços Partidos, que está em cartaz na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Penélope Cruz

Direção de Pedro Almodóvar. Com Penélope Cruz, Lluis Homar, Bianca Portillo, Jose Luiz Gómez, Tamar Novas, Ruben Ochandiano, Ângela Molina, Rossy de Palma, Chus Lampreave. 127 min.

Em Cartaz na Mostra
por Rubens Ewald Filho

Continuo a achar Almodóvar o melhor diretor em ação no momento no mundo. Apesar disso, ele também é humano e erra.

E este seu mais recente filme é uma escorregada, não tão grande quanto a de A Má Educação (04), onde ele não tinha muito a ver com o tema e caiu em vinganças pessoais.

Mas ainda assim infeliz e por isso mesmo explica por que o filme teve uma carreira medíocre tanto em prêmios quanto comercialmente.

Claro que Almodóvar fora de forma é melhor do que a maior parte dos outros cineastas, ainda mais falando de um assunto que entende, o cinema.

É quase uma meditação em cima do filme justamente que o consagrou internacionalmente, Mulheres a Beira de Um Ataque de Nervos que ele revisita e quase refaz, ainda que em outro contexto.

Só que o que poderia ser divertido, efusivo, acaba se tornando redundante e pouco divertido.

Não ajuda nem mesmo a presença de Penélope Cruz, num papel ingrato, que não lhe faz justiça à sua atual condição de vencedora do Oscar (condição essa que Pedro ajudo ofertando-lhe o seu Volver).

Talvez eu esteja exagerando até por causa da expectativa, mas o filme se não é uma maravilha, tem aquelas histórias enroladas e complicadas de que a gente gosta nele.

O protagonista agora é um diretor de cinema, um certo Mateo Blanco ou Harry Caine (Homar, veterano com cara de vilão que nunca tinha trabalhado com Pedro antes).

Conhecemos ele como um roteirista de cinema cego, que trabalha com um assistente e com a ajuda de uma produtora e velha amiga (Blanca, que foi a irmã de Volver).

No passado, ele foi diretor e esconde algum segredo, que se acentua quando aparece um sujeito misterioso querendo que ele veja um filme que este fez.

Aos poucos, com idas e vindas, o drama descobre-se é em cima de Lena (Penélope - secretária de homem rico que se prostitui de vez em quando).

Mas o sujeito é tão poderoso que faz a vontade dela, sua amante e a transforma numa estrela de cinema.

Tudo caminha até quando Lena vai trabalhar com Caine, num filme que seria a versão mais chanchada de Mulheres à Beira de um Ataque (tem ate aparição de Rossy e do gaspacho que eram daquele filme).

Penélope muda de perucas, faz muitas caras mas o importante é que ela passa a viver um grande amor primeiro as escondidas, depois abertamente para furor de seu amante inescrupuloso.

Daí em diante o filme finalmente vai revelar os detalhes culminando com a moral da historia, que interessa mais a gente do meio, que no cinema você deve usar as melhores tomadas, assim como na vida.

Engraçadinho mas pouco. A culpa é do Almodóvar que nos acostumou a dramas mais densos e instigantes. Desta vez, ele não acertou.

Fonte: Blog do Rubens Ewald Filho