
Em 1928, o arquiteto ucraniano radicado em São Paulo Gregori Warchavchik (1896-1972) projetou a Casa Modernista, na rua Itápolis (Pacaembu), criação que deu início à difusão da arquitetura desta corrente no Brasil. Em 1930, ano de sua inauguração, o espaço abrigou uma exposição de arte moderna, que contou com a participação de artistas como Lasar Segall (1891-1957) e Tarsila do Amaral (1886-1973).
Oitenta anos depois, por iniciativa de Carlos Eduardo Warchavchik, neto do arquiteto, a casa é reaberta ao público a partir de 26 de março, após ser restabelecido seu desenho original, alterado pelos sucessivos inquilinos que por ali passaram.
O processo de restauração também incluiu o jardim tropical criado por Mina Klabin Warchavchik, mulher do arquiteto, e 25 móveis projetados por ele, alguns presentes na mostra de 1930. Na reabertura do local, está em exposição um acervo fotográfico dos anos 30 e 40, organizado por Ricardo Mendes.
Paralelamente, o Museu da Casa Brasileira apresenta maquetes da Casa Modernista e da residência de Warchavchik na rua Santa Cruz (Vila Mariana), outro marco arquitetônico de um país que se afinava com tendências vanguardistas e nelas imprimia seu acento brasileiro. Ao lado dos projetos, fotos mostram como foi a festa de inauguração da casa do Pacaembu, e pode-se ver Oswald de Andrade, Mario de Andrade e Guilherme de Almeida circulando entre pinturas de Di Cavalcanti e Anita Malfatti e uma escultura de Victor Brecheret.
Warchavchik e a arquitetura do século XX
“Construir uma casa, a mais cômoda e barata possível, eis o que deve preocupar o arquiteto construtor da nossa época de pequeno capitalismo, onde a questão de economia predomina [...]”, escreveu Gregori Warchavchik em manifesto publicado no jornal carioca Correio da Manhã, em 1925. O arquiteto defendia a racionalidade do mecanismo arquitetônico, dotado de certa brasilidade, politizando a discussão ao apontar o momento de mudanças que atingia, de forma específica, a periferia do planeta.
Polêmico e engajado, Warchavchik foi, ao lado de Flavio de Carvalho, um dos primeiros arquitetos modernistas do Brasil. Suas ideias estão reunidas em Arquitetura do século xx e outros escritos (Cosac Naify, 2006), livro que finalmente recupera seu pensamento combativo e o retira do obscurantismo historiográfico da arquitetura brasileira.
A edição inclui “Terra Roxa e outras terras”, texto no qual defende que o arquiteto moderno deve estudar os antigos, não para imitar suas soluções, mas para “desenvolver sua capacidade estética” e identificar nos mestres do passado a profunda adesão às necessidades sociais e funcionais de sua época. Esta posição remete-se à sua formação no Real Instituto Superior de Belas Artes de Roma, onde se graduou em 1920, para depois se tornar assistente de Marcelo Piaccentini.
Em 1923, veio para o Brasil, empregado pela Companhia Construtora de Santos, dirigida por Roberto Simonsen. Gregori Warchavchik foi, ainda, professor da Escola Nacional de Belas Artes e associado de Lucio Costa no escritório em que jovens arquitetos como Carlos Leão e Oscar Niemeyer iniciam a sua formação antes de trabalhar com Le Corbusier.
Casa Modernista em exposição
De 26 de março a 21 de abril
R. Itápolis, 961, Pacaembu – São Paulo (SP)
Coprodução Piratininga Arquitetos Associado
Dia 27/03, às 16h30 | Debate com a presença de Carlos Martins (autor do prefácio de Arquitetura do século XX e outros escritos) e José Lira, que prepara uma monografia sobre Gregori Warchavchik.
Gregori Warchavchik no Museu da Casa Brasileira
Até 18 de abril
Av. Brigadeiro Faria Lima, 2.705, Jardim Paulistano – São Paulo (SP)
fonte: Cosac Naify